Estamos diante de um impasse comercial e político mais caro e ambicioso da historia da aviação militar. O Brasil vai gastar cerca de R$ 10 Bi na aquisição de aviões de combate, e talvez na maior compra de caças desde a Segunda Guerra Mundial.
Mas o Governo, num momento de soberba política e interesses, talvez escusos, está com um discurso ridículo de palanque eleitoreiro internacional, numa barganha digna dos conchavos a que estamos inacreditavelmente acostumados a ver no nosso congresso nacional e em nossas vereanças Brasil a fora, por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.
Na minha opinião se seguirmos nosso plano de defesa nacional e fortalecermos nossa industria estratégica, bem como nossas defesas para que ela seja mesmo dissuasora, seremos respeitados, ouvidos e ai sim convidados para esse conselho. A China por exemplo, só é do conselho porque tem o maior contingente militar, a maior frota tanques do mundo e os mísseis que vão mais longe e mais recentemente por ser o maior mercado consumidor do mundo.
Mas vamos falar dos pontos visíveis desta negociata.
O rafale é o mais caro e o que menos oferece transferência de tecnologia, apesar de transferir. Porque ele está pronto, e não teremos vivencia de projeto, protótipo e construção “do zero”.
Tem o ponto politico, de alinhamento com a França, uma potência europeia independente dos EUA e da própria UE. Vai nos ajudar em várias outras áreas de indústria e tecnologia militar e estratégica, como a construção de estaleiros e submarinos, inclusive os nucleares. Ela nos apóia abertamente a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Mas se mantermos esses negócios poderíamos comprar os caças de outro sem maiores problemas.
Para a EMBRAER o rafale é caro e dificil de vender e portanto, não é viável economicamente e comercialmente. Ele é grande, tem 2 motores e isso leva a ter dois pontos de defeitos, difícil de fazer manutenção.
Para a FAB o Grippen além de ser o mais barato, tem a proposta da participação ativa da FAB no projeto de construção e a transferência de toda a tecnologia para a indústria, além de ser comercialmente atraente para nossos parceiros na África e o próprio cone sul.
O avião é pequeno, ágil e fácil de manter, de reabastecer e rearmar, opera em qualquer terreno. E casa perfeitamente com o Plano de Defesa Nacional.
O F-18 tem muitas qualidades, como ser testado em combate, ter 20 anos de existência. Porém é grande, caro e não tem transferência de tecnologia, e não tem comercialização fácil e garantida porque nos deixaria nas mãos dos americanos.
Está claro que a decisão política é mais interessante a nível de política internacional e será uma boa oportunidade de sermos o centro das atenções. Mas eu torço pelo Brasil, acredito que devemos comprar armas com vistas ao nosso Plano de Defesa Nacional e não a interesses momentistas e circunstanciais. Esses caças serão para no minimo 30 anos de vida.